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Publicado em 03.05.13 Escrito por José de Souza Martins
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Este artigo de José de Souza Martins foi publicado no jornal O Estado de São Paulo em 01.04.2013. Depois de ler o artigo, achei que não poderia deixar de publicá-lo no meu site para que os apreciadores de uma boa música de viola caipira também pudessem curtir seu texto que é bom, muito bom, pra lá de bom...


Foi no Theatro Provisório, na noite de 13 de outubro de 1887, uma quinta-feira, que a viola caipira saiu dos caminhos de roça e dos vilarejos do interior e subiu pela primeira vez a um palco de teatro na cidade de São Paulo. O teatro ficava na Rua Boa Vista. Seria demolido para no lugar se construir o Teatro Santana, em 1900. O violeiro Pedro Vaz levava nos braços seu "rústico pinho popular", a viola de dez cordas de arame. Tocou cateretês, modinhas, valsas, fandangos e lundus, 12 de suas composições para um público culto. Dentre elas, Saudades do Sertão, um fandango sertanejo, e Paulistana, uma valsa dedicada aos paulistanos. Ele se apresentaria de novo, em 1900, no Salão do Grêmio, em Campinas, num "concerto de viola".

 

Teatro Santana
Teatro Santana, construído em 1900

 

Pedro Vaz era fluminense de Resende e primo do poeta Fagundes Varela, que foi aluno da Faculdade de Direito e morou no Brás. Era professor de música. Apresentou-o ao público, em artigo de jornal, o poeta Ezequiel Freire, autor de Flores do Campo, que aqui vivia, também de Resende. Patrocinou sua vinda e apresentação em São Paulo o Dr. Clímaco Barbosa, médico baiano aqui radicado, maçom, abolicionista, que em 1893 participaria da Revolta da Armada contra Floriano Peixoto e seria preso na Fortaleza da Lage, no Rio de Janeiro. A apresentação de Pedro Vaz se deu num cenário politicamente conservador e socialmente progressista. Alguns meses depois, os conservadores fariam a abolição da escravatura, não os liberais.

A apresentação de Pedro Vaz no Theatro Provisório foi um verdadeiro episódio de ascensão social da viola caipira. Até então, era ela instrumento musical de pessoas consideradas ínfimas. Não era incomum, no anúncio de escravos fugidos, sobretudo mulatos, a indicação de que se tratava de um violeiro. São vários os indícios de que a viola libertava o espírito dos cativos, o que os impelia à fuga. A viola era o instrumento da liberdade, dos que viviam à margem do mundo criado pela escravidão.

Entre os tropeiros, geralmente mestiços oriundos da escravidão indígena, os verdadeiros caipiras, era frequente a presença de violeiros tangendo a viola nos ranchos de estrada. Uma dessas modas teve a estrofe registrada por um passante: "Ai viola, viola minha, só tu sabes meus segredos..." A subida da viola aos palcos começou a livrá-la do estigma injusto de instrumento musical de gente à toa.

A ascensão social da viola caipira está diretamente ligada ao movimento cultural e político de formação da nacionalidade, associado ao fim da escravidão e à Proclamação da República. A viola une a inspiração de duas expressões da identidade brasileira: uma pintura de Almeida Júnior, O Violeiro, de 1899, foi presente do fazendeiro José Estanislau do Amaral à sua filha, a pintora Tarsila do Amaral. Pode ser admirada na Pinacoteca do Estado.

 

O violeiro
O violeiro de Almeida Júnior

 

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